segunda-feira, 1 de junho de 2020

Liberdade, liberdade




Faz alguns anos, aqui nesse grande latifúndio chamado Brasil, temos vivido situações das mais absurdas em quaisquer campos da vida que possamos imaginar. Certos episódios deixam no chinelo qualquer distopia dos anos pós segunda guerra _ escolha qualquer uma _ ou série de streaming.

O sistema em que nos encontramos _ e seu nome é: capitalismo _ para funcionar a pleno vapor, implantou sua propaganda de forma eficiente _ repetitiva _ ecoando seus princípios e valores, a fim de domar os corações e mentes de homens e mulheres, para que pudessem aceitar e se submeterem a seu funcionamento.

Muitas situações absurdas, são diariamente normalizadas pela propaganda, que são financiadas pelos donos da grana, que se utilizam de seus inúmeros servis intérpretes: políticos, líderes religiosos, especialistas das mais diversas áreas, que vêm falar ao povo, através de todas as mídias possíveis, como as reformas _ escolha qualquer uma _ são boas e foram feitas para melhorar a vida de todos. Porém, esse TODOS, é claro, são apenas alguns.

Porque pensemos: os donos da grana _ os capitalistas _ para poderem ter grana, precisam que outras pessoas produzam coisas, e que eles, fiquem com a maior parte do que é produzido, que é aquilo que chamamos de lucro.

Num mundo justo, as pessoas não aceitariam produzir algo, e permitir que uma outra pessoa (que nada fez, diga-se) ficasse com quase tudo que foi produzido por ela.

Só que essa pessoa que ficou com tudo que foi feito pelos outros _ e mais tantas outras iguais a ela _ tem grana o suficiente para financiar de mercenários (que se valem da violência) até profetas (que se valem da manipulação), para que consigam manter as coisas funcionando tal como estão. Esse tipo de sistema mantém os exploradores, ricos, e os explorados, pobres.

O tipo de pobreza que se mantém, é das mais desgraçadas possíveis. Entre os valores nos quais se baseia uma sociedade capitalista, é o de conferir status a uma pessoa pelos objetos que ela possui e pela aparência que ela demonstra. Para atingir a este status, e ser tratado como uma pessoa digna de respeito e afeto, é necessário o tal do dinheiro. E esse mesmo dinheiro será necessário para que a pessoa não passe fome, ou não morra na primeira frente fria que surja pela frente, porque esse mesmo sistema, cria barreiras das mais diversas, que possibilitem que uma pessoa consiga prover-se por si própria, que tenha um pedaço de chão e meios de subsistir.   

É um sistema que não apenas cria pobreza na exploração da mão de obra, mas cria pobreza ao tornar tudo propriedade privada, e tomando todas as propriedades para si.

Quais opções restam aos pobres num sistema onde um grupo de ricos toma tudo para si, e não oferece nada aos demais, deixando como escolha única _ o que é um paradoxo _ a chance que a pessoa tente vender sua força de trabalho em troca de migalhas que apenas garantem que esta não morrerá de fome?

Claro, num sistema como este, quando falamos de ricos e pobres, exploradores e explorados, temos pessoas em vários níveis diferentes, do chamado pela sociologia, estrato social. De forma resumida, existem os muito ricos, os menos ricos, os da classe média, os pobres e os miseráveis.

Aqueles que se situam próximos as classes médias, alimentam dentro de si tanto uma expectativa de terem mais do que têm um dia, quanto um medo de descerem degraus dessa escada e se tornarem eles, pobres. É certo que o medo é muito grande, o que normalmente torna tais indivíduos conservadores de sua posição social _ e conforme o medo da perda aumenta, os torna reacionários.

Quanto a expectativa que esse povo do meio do estrato social cria em se tornar elite um dia, os impulsionam a olhar para a cultura daqueles que eles admiram e sonham quem sabe ser um dia.

Essa visão da vida social em estratos, ou em escada, ou pirâmide, onde o topo é dos ricos, e a base é dos pobres, e que misturado com uma estrutura social que fomenta além das desigualdades, fomenta também o individualismo e a competição, fará disso tudo um salve-se quem puder, cujas consequências só podem ser o aumento das desigualdades, a destruição dos laços humanos, e acirramento das tensões sociais e a destruição da natureza.

Podem mudar os políticos, as formas de governo, os sobrenomes dos capitalistas por mudar, toda uma geração de trabalhadores e trabalhadoras podem morrer, mas se estas estruturas sociais continuarem funcionando sob a mesma lógica que tem funcionado, vão replicar este modelo desgraçado de sociedade em que vivemos. 

A sociedade não é resultado de uma soma de indivíduos, e nem de suas ações individuais, ou mesmo em grupos, agindo de forma desorganizada e sem propósito. É como dirigir com os olhos vendados _ além de não saber para onde ir, pode-se quebrar a cara a qualquer momento.

Os exploradores, os endinheirados, ainda que eles sejam competidores entre si, e queiram destruir-se mutuamente, sabem exatamente o que querem, e no limite, quando precisam juntar-se para defender seus interesses, eles os fazem, como sempre fizeram.

Eu ia dizer que um dia os explorados desse mundo terão que aprender a se organizar e lutar, se quiserem libertar-se de verdade. Mas esse "um dia", é na realidade hoje!

Share:

0 comentários:

Postar um comentário